Jundiaí / SP - domingo, 17 de janeiro de 2021

VARIZES- Saiba Mais

VARIZES 

Tratamento de varizes com o uso do laser. Veja o link "laser"

 

O que são?
Varizes dos membros inferiores são veias dilatadas, tortuosas e palpáveis, situadas no subcutâneo (camada de tecido gosrduroso que fica sob a pele). Por vezes estas varizes podem tornar-se muito volumosas ocasionando sérias complicações.

 

porcentagem de pessoas portadoras de varizes é muito elevada?
Esta porcentagem é muito elevada e varia entre os países. No Brasil ocorre em 35% das pessoas acima de 15 anos. O número aumenta com a idade. Entre os 30 e 40 anos, atinge 3% dos homens e 20% das mulheres.
Aos 70 anos de idade, 70% dos indivíduos apresentam algum tipo de varizes.

 

Porque as varizes são mais comuns nos membros inferiores?
Porque o sangue venoso segue do pé em direção ao coração e, daí, para os pulmões para ser oxigenado a fim de retornar aos tecidos para nutrilos. Nos membros inferiores circula contra a ação da gravidade e contra a pressão do abdome, exigindo condições para evitar o refluxo sangüíneo, isto é, que o sangue que já subiu não desça novamente.

Os mecanismos anti-refluxo são:

  • o "bombeamento" do sangue pela musculatura da panturrilha (barriga da perna);
  • a estrutura da parede das veias superficiais nos membros inferiores, cuja espessura é normalmente resistente à dilatação;
  • a presença, dentro das veias, de válvulas (pequenas formações saculares) que impedem o refluxo do sangue

condições que favorecem o aparecimento das varizes?
Sim e são denominados fatores de risco. As condições que favorecem o aparecimento das varizes são:

  • predisposição genética (hereditária, que faz com que o indivíduo já nasça com tendência);
  • gestações (o risco é tanto maior quanto maior o número de gestações);
  • obesidade
  • permanência longas horas em pé ou sentado;
  • falta de exercícios físicos;
  • uso de anticoncepcionais;
  • constipação intestinal (intestino preso);
  • tabagismo;
  • trombose venosa (formação de coágulo dentro da veia, dificultando a passagem do sangue) .

O que sente o paciente? Ocorrem complicações?
As principais queixas são:

  • edema (inchação) no tornozelo;
  • sensação de perna cansada e pesada;

Todas as queixas se acentuam no final do dia, sobretudo quando se permanece longas horas em pé ou sentado; no calor ; nas mulheres em época menstrual, ou durante as gestações. As complicaçoes são:

  • manchas ocres (mancha de cor escura);
  • eczemas;
  • erisipela - infecção aguda da pele;
  • varicorragia - sangramento abundante decorrente de rotura de veia varicosa;
  • lipodermatoesclerose - pele e tecido subcutâneo espessados e endurecidos;
  • úlcera de estase (ferida geralmente localizada na face interna  das pernas, devido ao mal funcionamento das veias)

Como se tratam as varizes?
Depende do tipo de varizes. As varizes calibrosas (com aparência de grossos "cordões"  saltados nas pernas) são de tratamento cirúrgico; já as telagiectasias (microvarizes, vasinhos), são tratados pela escleroterapia (injeções no interior dos vasos, levando ao desaparecimento dos mesmos).
Há casos, porém, em que se procede apenas ao tratamento clínico. É altamente recomendável a prescrição de meias elásticas medicinais com compressão adequada para cada caso, sobretudo  para pacientes com varizes primárias (aparecem apenas por predisposição familiar, sem causa conhecida) que não querem ser operadas, ou que querem adiar a cirurgia. Alguns medicamentos aliviam os sintomas.
É fundamental também a prescrição de meia-calça  como profilaxia (prevenção) de varizes primárias em gestantes.

 

Como se faz o plenajamento cirúrgico?
Além do exame clínico,   o cirurgião  pode realizar  mapeamento das varizes  com  Ecodoppler ( Ecografia Vascular com Doppler) , muito útil e  necessário para a boa execução de seu trabalho.

 

Em que consiste a operação?
Consiste na retirada de veias varicosas, através de pequeníssimas incisões (cortes) e com a ajuda da agulha de "crochet". Na virilha, no joelho ou onde houver uma veia muito calibrosa, o corte é maior e há necessidade de pontos para fechá-lo. Mesmo assim, a cicatriz, na grande maioria dos casos, é imperceptível.

Atualmente as indicações para tratamento cirúrgico estão bem estabelecidas sendo  a   retirada das veias safenas (fleboextração)  realizada apenas  em algumas situações específicas. A avaliação pré-operatória com ultra-som auxilia no planejamento cirúrgico e na decisão quanto a esse procedimento. Como todos sabem, as safenas servem para pontes no coração e , também nas pernas, salvando-as de gangrena.
Pode-se operar varizes com anestesia local, em ambiente cirúrgico (de clínica e hospitais), sem necessidade de internação. Em casos de operações demoradas e varizes volumosas utiliza-se a anestesia  raqui ou peri-dural e a hospitalização é necessária, porém geralmente restrita a apenas um dia.

 

As veias retiradas vão fazer falta? Quais os riscos da operação?
As veias que são retiradas, por estarem doentes, não colaboram para a circulação; ao contrário, sua retirada causa melhora nas condições circulatórias da perna, aliviando os sintomas, melhorando a estética e prevenindo as complicações da evolução do processo varicoso.
Risco existe em qualquer ato operatório, mas é muito pouco frequente, sobretudo hoje com as modernas técnicas e cuidadoso exame pré-operatório. Examina-se o paciente e não apenas as suas pernas. 
As intercorrências que surgem depois da operação são:

  • equimoses (extravazamento de sangue no tecido abaixo da pele alterando sua coloração) e hematomas (coleção de sangue fora do vaso sangüíneo);
  • infecção (raríssima)
  • lesão de nervo - quando acontece traz distúrbio da sensibilidade - áreas de anestesia (área insensível a dor) ou de hiperestesia (área muito sensível a dor) no terço inferior da perna;
  • linforréia ou linfocele - extravazamento de líquido incolor (linfa) por uma cicatriz (linforréia) ou no subcutâneo (linfocele);
  • edema persistente (raríssimo)
  • trombose venosa profunda (TVP), que também é de ocorrência muito rara.  

Hoje, os risco de intercorrências são estatisticamente insignificantes nas operações de varizes realizadas por especialistas.

 

Fonte: Manual do Paciente publicado pela
Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (1999)